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riscos_e_rabiscos

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Memórias de Outono

Com a chegada do outono, ontem, parece que as temperaturas baixaram um pouquinho - finalmente - e a chuva e o vento fizeram uma visita ainda que seja breve.

 

Apetece-me este tempo mais fresco, com alguma chuva. Estou farta deste calor, deste sol demasiado baixo. 

 

Ontem, sentada no sofá a ver TV e atenta aos clarões dos relâmpagos dos trovões que se ouviam ao longe, regressei à minha infância. E senti saudades.

 

Lembrei-me dos dias da escola primária, do início das aulas, de quando era outono a sério. Voltei àqueles tempos em que a minha mãe me ia buscar à escola e aos dias de vento e chuva. Dos dias de trovoada em que colocava os dedos nos ouvidos (porque tinha medo) e ninguém mos fazia tirar. Daescola telefonavam à minha mãe para que me fosse buscar. Lembrei-me daqueles dias em que o vento fazia as folhas das árvores dançarem, depois descansarem no chão e eu apanhá-las toda contente.

 

E estas memórias trouxeram-me felicidade e conforto, aquele conforto bom de quando o nosso mundo era feito de pequenas coisas e de protecção.

Memória De Infancia.

Quando eu era miúda, não me lembro de haver muita variedade de refrigerantes. Ou eu é que não os bebia. Lembro-me que havia a laranjada e a gasosa - que deixava uma amiga minha completamente bêbada, vamos lá saber porquê! - uma cidra de maçã e a famosa Laranjina C.

 

Eu e o N. estávamos sentados no sofá a conversar quando nos surgiu à ideia, já não me lembro porque motivo, a tal laranjina C.

 

Lembro-me que a bebia a acompanhar caracóis e que era óptima. achava muita graça ao formato da garrafa que fazia lembrar uma laranja com as suas borbulhinhas e tudo. Depois desapareceu. Tal como as outras bebidas da época. E instalou-se a era da Coca-cola e outros gaseificados.

 

Se eu pudesse, voltava atrás no tempo para beber uma Laranjina C e uns "rastejantes de casa às costas" num dos verões da minha infância...

 

Ai Tanto que Eu Gostava Deles!

 

Fiquei hoje a saber que estes meninos estavam em Lisboa para um concerto. Que se tinham voltado a reunir e andavam por ai a reavivar memórias, a encher os corações de romantismo (lembram-se da onda dos New Romantic?), e quiçá a dar balanço a algums franjas que continuem a subsistir desde os anos 80...

 

Eu adorava os Spandau ballet. E os Duran duran. Mas por agora dedico-me apenas a este grupo.

Eu era uma chavaleca mas sabia as músicas todas deles de cor (e ainda sei...!). E como boa pretendente a futura cantora, pegava na escova de enrolar o cabelo ou outra coisa que se assemelhasse a um microfone, e levava os dias inteiros na cantoria a treinar a voz, as fixar letras e a azucrinar os ouvidos de quem não me quisesse ouvir. Ahahah!

 

Lembro-te de ligar o rádio na Rádio Comercial e pôr a cassete a jeito para gravar as músicas favoritas. E aproveitava para fazer isto quando estava a lavar a loiça. Qual Cds, Mp3 ou gadgets do género! Era a bela cassete - que, de vez em quando, rebentava a fita e lá se remendava com fita-cola - que fazia os delírios da malta. Mesmo com os sons roufenhos das interferências de alguma mota que passava na hora da gravação e lá mexia com as ondas da rádio e deixava a sua marca indelevelmente marcada nas nossas músicas preferidas...

 

Ai que nostalgia. Às vezes era bom podermos voltar um bocadinho atrás no tempo e voltar a viver certos momentos. Os 80s eram uma dessas alturas!

Velha Infância

 

Reencontrei hoje uma pessoa que não via há imenso tempo. Fez-me voltar à minha infância e a momentos felizes.

 

Quando era miúda, uma das minhas amigas de infância vivia na porta em frente à minha, no outro lado da rua. Costumávamos passar dias inteiros na casa uma da outra. Mas eu acabava por passar muito mais tempo na casa dela, uma vez que elas eram três irmãs e eu, naquela altura, era filha única. A irmã do meio tinha apenas mais dois anos que a minha amiga, pelo que brincávamos todas juntas.

 

A irmã mais velha, tinha mais sete anos do que eu. Quando somos pequenos, esta diferença de idades parece abismal. Afinal os interesses e as ideias são diferentes, vamo-nos modificando conforme crescemos.

 

Era giro assistirmos aos namoros e às conversas desta irmã mais velha com os seus amigos. Ela sempre foi muito bonita, com uns belos olhos azuis. Escusado será dizer que namorados não lhe faltavam. Lembro-me de três que foram marcantes.

Nós três – as pirralhas – éramos as voyers de serviço, sempre que ela estava no namoro. Mas em segredo.

 

Fomos crescendo, a diferença de idades foi-se atenuando mais e as empatias crescendo. Um dia ela conheceu o M. e casou-se. Ele tornou-se num conhecido comentador desportivo, ela conseguiu um emprego bom e a família cresceu.

 

O estatuto social modificou-se devido à posição do marido. Mudou de casa para uma zona mais “in”. As irmãs também fizeram a sua vida, e foram morar para locais mas afastados daqui. Mas vemo-nos bastantes vezes pois são visita assídua aos pais. A irmã mais velha não tanto. Tornou-se mais distante e menos envolvida nas confusões familiares.

 

Hoje encontrei-a. Não a via há anos! Está bonita na mesma. Igual a sempre. Com algumas marcas do tempo mas óptima. Notei que ela gostou mesmo de me ver. Conversámos um pouco, enquanto ela esperava pelos pais que tinha vindo buscar, e trocámos piropos: que não parecíamos ter a idade real – oiço sempre esta conversa em relação a mim - , que estávamos na mesma e óptimas. Falámos brevemente sobre as nossas vidas e mandámos beijos para a família. Foi pena não termos mais tempo pois teríamos posto anos de conversa em dia. Gostei mesmo de a ver e de voltar a uma época feliz da minha infância.

 

 

Alentejo, terra de calor e memórias

Hoje andei a arrumar umas fotos e aproveitei para as rever.

Eram fotos de há alguns anos atrás tiradas no Alentejo, mais precisamente na terra da minha mãe. Acabaram por me vir à memória algumas férias da minha infância e juventude, que aí foram passadas em casa das minhas tias (eu nunca lá tive casa).

 

Era mais habitual eu ficar na casa da minha tia Ganhão cuja casa fica mais no centro da aldeia, mais precisamente ao pé da igreja. Quando eu era miúda, ela tinha uma “venda”. Lembro-me de ela me dar montes de gelados de água e de eu andar a brincar com as medidas de madeira para o feijão, grão, etc. Lembro-me também do meu tio Zé matar as galinhas que tinha no aviário no quintal. Eu não achava piada nenhuma àquilo. Havia também um fumeiro e eu adorava ajudar a fazer chouriços. Ehehehe!

 

Quando ficava na casa da minha tia Torradinha – casa que tinha sido dos meus bisavós -, que ficava situada numa ponta da aldeia, ela fazia sempre um bolo de leite espectacular. Herdei a receita dela mas o sabor não é o mesmo. Os ingredientes não têm a mesma origem.

Todos os dias de manhã, havia figos fresquinhos para comer pois o meu tio António ia buscá-los ao seu terreno.

Era uma casa enorme com uma chaminé gigantesca onde nos sentávamos ao fresco ou à braseira, com cavalariças onde viviam as mulas e com um quintal enorme cheio de rosas de chá e cujo muro era constituído por uma pedra antiquíssima e valiosa.

 

Foi aqui também que  me estreei com uma infestação de piolhos. Era véspera da festa da terra e a minha mãe foi pentear-me e fazer-me tranças. Ela ia morrendo com a piolheira que havia na minha cabeça. Foi esfregada, penteada e sei lá mais o quê. Só faltou colocar insecticida ou arrancar-me os cabelos. Mas a verdade seja dita: não restou um piolho para contar a história. :P

 

Lembro-me de um ano, em que também lá fomos em época de festa, termos ficado eu e a minha prima B., que tinha levado uma amiga, na casa da minha tia Torradinha. Dormimos todas no mesmo quarto e durante a noite ouvimos uns barulhos estranhos no tecto. Claro que pensámos logo que seriam fantasmas e coisas do género, principalmente porque nunca se ia ao quarto que havia no 1º andar e que servia para guardar géneros alimentares. Gritámos pelas nossas mães cheias de medo. Foi-nos dito que “eram os miúdos a atirar pedras ao telhado”. Ficámos mais ou menos convencidas e ferrámos a dormir. No dia seguinte, a minha mãe disse-me que tinham sido ratos a passear pelo telhado. Arg!

 

Muitas outras histórias há para contar, desde a da “entopeia” à da panela de pressão que estourou ou ainda as de quando era teenager, vivenciadas por mim e pela minha amiga S.. Um dia destes regresso ao tema do Alentejo e conto mais umas histórias.

 

Hoje apeteceu-me por em evidência a minha costela alentejana. Quem me conhece sabe que eu gosto muito do Alentejo, sabe-se lá porquê…! ;)

                                                                                  

P.S. - Só hoje consegui colocar uma imagem. Problemas sapianos... :P.

Legenda: Igreja da terra da minha mãe cujo interior é decorado com frescos. Seria um gáudio para os nosso olhos se não os tivessem caiado e nalgumas partes coberto com cimento. Mas não entrem em pânico: estão a tentar restaurá-la.

Para além deste ex-libris, existem apenas mais dois: a escola primária e o depósito da água, sendo este a construção mais alta da aldeia pelo que é conhecido popularmente como o castelo da aldeia. :)